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Steve McQueen e Papillon - O desejo de fugir

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Estive  a reler o livro " Papillon " de Henri Charrière. É escrito na primeira pessoa, é um malandro de Paris, um anti-herói, que é preso nos anos trinta por ter morto um " chulo " e mandado para o degredo, na Guiana Francesa. Naquele tempo mandavam os presos para as colónias, e não era preciso muito, bastava ser um pequeno ladrão reincidente. Mandavam rapazes de vinte anos que ficavam lá dez , quinze anos. Muitos para servirem de " mulheres " dos perigosos do " millieu " . Claro que ao nosso herói Papillon (por ter muitas tatuagens, uma de uma borboleta) não acontece nada disso, ele tem vinte e cinco anos mas uma reputação estabelecida, anda nas ruas há anos e conhece metade dos condenados. O Papillon é condenado por ter morto um " chulo " crime do qual sempre se declara inocente, culpa um " bufo " de o ter acusado em troca de redução de pena. Jura vingar-se da testemunha, do promotor, do juíz , dos jurados, matá-los um ...

farmville e crochet

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As pessoas que passam tempo em casa, sem virem de empregos, têm de arranjar hobbies. Os desempregados, as donas de casa, os reformados, os doentes.... As donas de casa de antigamente, faziam mil coisas artesanais. Compotas, marmelada, biscoitos, bolos, comida para a semana inteira. Roupas para os filhos, camisolas de tricot, mantas de retalhos para as camas e inúmeros panos de crochet. Todas as casas tinham paninhos de crochet a protegerem os braços do sofá, a zona da cabeça. Toda a mesa estava protegida por uma camilha (espécie de saia comprida ) e um pano redondo. De crochet. As camas tinham uma pesada colcha de crochet, uns quadrados que se coziam uns aos outros. De linha branca. Ou para as mais modernas, de lã, às cores. Eu também fiz crochet, e tricot, mas no tricot enganava-me mais e era preciso contar malhas para fazer as mangas, os decotes. O crochet dá-nos aquele vazio cerebral que resulta de uma tarefa mecânica e que nos conduz os pensamentos ao céu e ao inferno.  Pr...

Acho que perdi cem gramas

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De seis em seis meses tenho de mudar o visual, tipo mudar o óleo.... Começo a olhar para as outras mulheres, a ver toda a gente de cabelo comprido e mal penteado, com ganchos... Ninguém devia usar ganchos com mais de doze anos. Depois olho para mim de rabo de cavalo e penso, " ná, tenho de cortar isto....". Como precisava de pintar fui ao cabeleireiro mais próximo, ao lado do Solinca e deixei-me persuadir a fazer também umas nuances mais claras. Pus os auscultadores de fio nos ouvidos ( da Sony ) e li uma revista de fofocas, enquanto tinha a tinta e depois relaxei na massagem da lavagem de cabelo... Também deviam ter umas máquinas de dar banho, como os carros, é uma trabalheira tomar banho....  Depois vi numa revista um corte giro, com franja de lado e revolto acima dos ombros....A Zara, brasileira ( ali parecem ser todas brasileiras ) cortou a direito, sem fazer escadeado e secou, lá saí eu com aquela sensação fantástica do cabelo acabado de cortar , como dizem no anúncio.....

A Balança Assassina

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Comprei uma balança assassina de egos e auto estima, só me faz lembrar as histórias do Garfield, das balanças falantes " só um de cada vez ! ". Eu tinha aquela balança normal, subimos para lá e aquilo vai andando à roda, eu estico-me e não percebo bem se é 62, 63, 64..... (só tem numeros de 5 em 5).  Depois a filha, quis uma balança digital, que lhe dei pelos anos. Aquela coisa programa-se com a nossa altura e idade e dá não só o peso como a massa gorda, e deu-nos a ambas três quilos a mais que a nossa balança normal ! E a mim, pela massa gorda, chama-me " obesa " ! Quanto menos peso me dá, mais obesa sou (38 % ...) !  Como não como muitos hidratos de carbono, chocolates e bolos decidi que tenho de me deslocar mais a pé e menos de carro, mesmo que torça os pés todos na porcaria desta calçada portuguesa, por mim podiam arrancá-la toda, quase me espalhei no outro dia com as botas deslizando em direcção à estrada....  Aquela minha amiga recomendou-me uma bebida que ...

Aquele caso do Meco

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Já passou um mês sobre o afogamento dos jovens universitários no Meco, e finalmente, começa a falar-se em crime, em vez de acidente. Desde o princípio que achei estranho, um grupo de sete jovens da mesma universidade, terem ido, vestido com as capas académicas, a meio da noite, no inverno, para uma praia, no Meco. Primeiro pensei que estavam " com os copos " e decidiram ir ver o mar. Mas o mar estava demasiado revolto e uma onda gigante apanhou-os e só um se conseguiu salvar, e o mar só devolveu mais um corpo. Os outros foram aparecendo, uma semana depois. Agora começam a aparecer factos. Os vizinhos da casa que eles alugaram, na aldeia próxima, para o fim de semana, contam que os viram a executar " praxes ", um deles punha os restantes a rastejarem no jardim, por exemplo. Como algumas eram raparigas, um vizinho chamou-lhes a atenção, e terão dito que eram praxes. O único dos sobreviventes era um dos chefes das praxes, da universidade Lusófona. Uma universidade d...

Lei contra os maus tratos a animais

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O animal, de estimação ou não, é considerado uma posse do dono. Qualquer dano infligido ao animal por outros é punível por lei, pois estão a danificar-nos uma posse. No entanto, se esse mesmo dono, decidir atirar o seu animal de estimação pela janela do seu décimo andar, não está a cometer um crime. Agora vai ser votada uma lei nesse sentido, punir os donos pelos maus tratos aos seus animais. Concordo absolutamente. Desde há muito tempo que eu embora não goste especialmente de cães ( sobretudo se se atiram para cima de mim a tentarem lamber-me) me desgostava ver cães presos com correntes a casotas, sem água ao sol. Isto na aldeia. Os meus primos eram indiferentes, os cães eram como galinhas, para eles. Os gatos também eram semi selvagens, vinham a casa comer e fugiam para a rua. havia um ou dois que se deixavam domesticar de pequenos, especialmente se eu estivesse lá. Mas mesmo no campo, sempre houve pessoas amigas dos animais. A empregada da minha avó, que estava lá desde os deza...

Hoje vou sonhar com elefantes

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O meu último vício deve ser a internet, mal acordo, estou a tomar o pequeno almoço, e já estou a ver as notícias, o face, a netlog.... Até tenho uma daquelas coisas móveis para se for passar o fim de semana fora. Não, no telemóvel não tenho, o meu é daqueles que custam, 19,99 ( tira fotos e tem rádio ! ) .  Antes o vício era ler. Dois livros ao mesmo tempo, se possível. Se acabava um, tinha de ir comprar outro. Não digo que fossem livros muito intelectuais, gostava de aventuras e ficção científica. Uma vez uma tia , que tinha o mesmo curso que eu, foi a casa dos meus pais e pôs-se a cuscar a minha mesa de cabeceira " o que andas a ler ? " e eu tinha o Garfield e " As aventuras de Arséne Lupin, o gentleman gatuno ". Ah, não achas que são livros um pouco infantis ? Não, eu tenho de ler outros para a fac. tenho de me distrair.  Agora tenho sempre um mais fino , não venha ela cá, tipo o Haruki Murakami " Kafka à beira mar ", (por acaso gosto de quase todos o...