domingo, 10 de dezembro de 2017

Tempestade Ana

Aqui estou eu em casa, à espera da tempestade, por enquanto estão só nuvens e nem sequer há vento.
Dizem que nalguns sítios já varreu as plantas da varanda.
Estou a ver aquele filme da " Adaline" uma mulher que ao chegar aos 25 parou de envelhecer e não morreu. Depois a certa altura (com 107 anos) anda com um homem e este apresenta-lhe o pai e era um antigo amor dela, que a reconhece. Ela desaparece de novo. O pai é o Harrison Ford, eu que até ali achava o namorado dela muito apresentável, passei a achar que ela devia era ficar com o pai. Um velhote interessante , o Harrison Ford, Acho que gosta do nosso país e quer comprer uma quinta no interior.

Muita gente tem esse interesse pelo interior ( que significa 200 km da costa....) que está desertificado  de pessoas. Também tem muitas florestas e bonitas paisagens, mas este ano com tantos incêndios, as casas do interior arderam também. Muitas de estrangeiros que viviam cá com as famílias, numa espécie de vida ecológica, perderam as propriedades. Os animais e as culturas, tal como muitos velhotes que resistiam a sair de lá.

Vão ter todos de recomeçar do zero e esperar que o Governo os ajude a reconstruir.

Quanto a nós, espero que não aja prejuízos com a tempestade. Qua tarda em chegar.

Ps: ainda não é meia noite e já está muito vento e alguma chuva. A frente não sei quê passou a 450 a norte da península Ibérica. afetou primeiro a Galicia, depois o Norte daqui e parece que agora chegou ao Sul/centro.

sábado, 9 de dezembro de 2017

Alta definição

Estou aqui a ver o Alta Definição, a Susana Latino que parece tão divertida, está ali a contar os seus traumas de infância, o pai assassinado por engano, o chamarem-lhe gorda na escola, entrar na SIC e ser diferente das outras, ser mais gorda...Depois vejo uma foto dela nessa altura e era uma gorda de usar o 40, já com o cabelo pintado de ruivo e não era feia. Depois o que não gosta é " bróculos e favas"....que lugar comum....
Há pessoas que vão a este programa e de quem não gostamos ou não temos opinião, e revelam-se muito interessantes. As pessoas revelam o que querem nestas entrevistas, ele mete lá umas perguntas, "ficou alguma coisa para dizer entre si e o seu pai? " e alguns desatam a chorar....Agora está a contar que trocava as fraldas à mãe quando esta estava no hospital a morrer de cancro. Decididamente, procura motivos para se traumatizar. A minha mãe está no Lar e usa fraldas, mas vai ao WC, eu nunca lhe mudei fraldas no Lar, há lá empregadas, não?
Eu nem na psiquiatra conto coisas .... E depois de repente sou convidada a um programa destes e começo a desbobinar " não sofri de bullying na escola, mas a minha irmã é seis anos mais velha e desde que me lembro que se unia ao meu primo mais velho para fazerem troça de mim. Eu estava a ver TV no sofá e ela mandava-me sair de lá e eu não queria sair e começavamos à luta, até virem os nossos pais...." Eh, eh, até era divertido.
Depois " fui eu que encontrei o meu pai morto, fui a última a vê-lo com vida e a primeira a desconfiar que algo não estava bem. Ele tinha-se deitado para descansar depois de almoço e ia meio a cambalear, achei que era de ter bebido demais ao almoço, e saí com o namorado e quando voltei à meia noite não se ouvia ressonar como de costume e a minha mãe dormia noutro quarto e tinha depressão, mas eu não fui lá, fiquei a ver TV até àsd duas, era o filme " O Exorcista". Achei estranho o silencio e fui ver o meu pai. Ele estava deitado na cama, como se se tivesse sentado na beira da cama e caido para trás."Depois vieram a polícia e os bombeiros e ele já estava deitado como deve ser e ninguém disse que ninguém o fora ver desde as 14 h às 2h do dia seguinte. A minha mãe estava com depressão e estava mais preocupada em dormir, como eu não ia jantar, nem jantaram. Ele morreu às 14 h, disse o médico, Logo a seguir a eu sair.
Depois eu punha-me a dizer que é uma coisa que me persegue, não ter voltado atrás nesse dia, podia-o ter salvo. Mas não é, em nenhum momento achei que ele ia morrer. Eu tinha 28 anos.
O que me traumatiza, mas não ia desbobinar na TV nem sequer no psiquiatra, é as pessoas morrerem sozinhas num Lar. Por mim a minha mãe vivia comigo, com a ajuda de uma empregada diária que lhe daria banho e cozinhava e eu tratava dos chás e das botijas da noite. A neura dela nunca me aborreceu nem assustou, como à minha irmã, que detesta pessoas queixosas. Eu limito-me a ouvir e dizer que é uma chatice, ninguém percebe o que se sofre. A minha irmã e outras pessoas que nunca souberam o que é ter depressão dizem coisas como " deve sair com as amigas, irem passear, apanhar ar". Dizer isto a uma pessoa com depressão, que só lhe apetece enrolar-se num edredon e deitar-se a dormir...
Por isso vou lá ao Lar e ponho uma manta nas pernas da minha mãe e um xaile aos ombros e estou ali um bocado ....
o Johny Halliday morreu.
Tão giro que era.

Portugal. The Man - "Feel It Still" (Lyric Video)

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Imaculada Conception

Um feriado quando se está desempregada, estão a gozar comigo certo? Feriado religioso.

Acordei mal disposta, estava a ter um pesadelo! Tinha voltado a dar aulas e tinham-me dado um gabinete e eu estava a ler um memorando onde dizia que devido à alteração da contagem do tempo de serviço, eu tinha um ano e meio e não cinco anos, e tinha de fazer trabalho administrativo ...

Isto foi de certeza do meu filho dizer porque é que eu insistia nos call centers e não ia dar explicações que era o que eu sabia fazer...

Porquê? Ganho o mesmo.... Mas nos call centers há uma data de gente adulta simpática. Nos centros de explicações há miúdos que ficam com os olhos desfocados assim que eu começo " o narrador autodiegético é quando é a personagem principal que conta a história",,,,ao ouvirem auto diegético voam para outro planeta.

Eu devo estar mal habituada. Os meus filhos, era assim " o narrador é auto diegético quando é a personagem principal que conta a história. Diegético vem de diegese, que significa história, por isso..." e eles "OK já percebi. O narrador é o heroi da história e vemos tudo pelos seua olhos". Sim é isso.

No centro de explicações eu acrescentaria " o narrador é a pessoa que narra, conta a história. Diegese significa história, e auto é como automóvel, faz de conta que o narrador conduz a história? ". E eles são capazes de dizer " então é uma autobiografia?". Não....autobiografia é quando uma pessoa conta a história da sua vida, e biografia é quando uma pessoa conta a história de outra pessoa, normalmente famosa. Pode ser uma biografia autorizada ou não. Pela pessoa famosa se for viva.

O narrador auto diegético é por exemplo o Dexter, estás a ver? Ele é um assassino e conta a história.Claro que ele não existe, o autor é um polícia de Miami e não está a escrever a sua autobiografia.

Confuso? É só a base de toda a literatura. Num poema por exemplo, quando se analisa não se diz " Camões diz que está infeliz porque não está com a sua amada mas a natureza está na mesma muito alegre, com os pássaros a cantar e os ribeiros a correrem". Diz-se " o sujeito poético" ou " O sujeito do poema" porque embora tenha sido Camões a escrever, está a falar como uma personagem. Por exemplo, D.Dinis escrevia cantigas de amigo em que dizia " ai flores , ai flores de verde pinho, se sabedes novas do meu amigo, ai Deus i u é? " . D.Dinis não era uma mulher. D.Dinis não era trans.
D.Dinis estava a escrever uma cantiga sobre uma donzela que queria saber onde estava o seu namorado...

Se calhar devia ir chatear de novo os meus alunos para as aulas. Já estou a ouvir os meus filhos, "OK mãe, as pessoas jáperceberam..."

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Turismo protegido

Agora na época de Natal, com este clima seco, pouco frio e cheio de sol, estamos cheios de turistas de novo. Não se dá um passo na Expo  Parque das Nações) ou na Baixa ou nos Restauradores sem vermos grupos deles. Normalmente estão a descansar na Padaria Portuguesa, de manga curta e mochilas ao lado. Andam energicamente a ver os monumentos que estão na lista do guia de Lisboa.

Agora têm os tuc-tucs que os assediam para levar aos sítios bons para fotografias, o miradouro de sta.Catarina, o Castelo.

Como residente em Lisboa, não vivo numa zona histórica. Mas já vivi na Expo, Parque das Nações.
Lembro-me de sair de manhã com as crianças de casa até ao centro comercial , onde estavam as lojas e o hipermercado e ser interceptada duas e três vezes por turistas a perguntarem onde era o Oceanário.

Há placas na rua mas são minúsculas as letras. Eu normalmente mandava-os pelo percurso panorãmico, " entra no centro comercial e vai sempre em frente, saindo na porta do outro lado para o exterior. Vê as bandeiras e segue em frente até ao rio e vira à direita, sempre em frente, até ver um edifício numa espécie de lago. É aí.". E pronto. E dizia em inglês ou francês, para praticar.

Compreendo por isso a irritação das senhoras do bairro da Sé , quando lhes perguntam coisas em espanhol. Primeiro porque são muitos e depois porque as estão a expulsar das casas por causa deles. Vivem em casa degradadas com rendas pequenas e os senhorios querem que elas saiam para fazerem obras e alugarem a estrangeiros. E depois porque não falam espanhol. Ninguém fala aqui.

Quando vou a Espanha fico sempre sobressaltada primeiro e seduzida depois, quando chego a um bar, café, restaurante, e o empregado me sorri , diz bom dia e me trata por tu "Olá, como estás? ". Fico a pensar que está enganado e pensa ,que me conhece de algum lado. Depois prossegue com "o que vai ser" e percebo que é a simpatia de um empregado pata um freguês. Coisa que não existe em Lisboa.

Trabalhamos numa empresa e vamos todos os dias de manhã tomar café ao mesmo sítio. Os empregados andam ligeiros de um lado para o outro e sem nos olharem são capazes de perguntar o que vai ser, um café dizemos nós, eles tiram dois ou três. distribuem-nos e aí dizem " e mais nada?" e nós " uma torrada", "um queque" uma sandes de queijo" e ele, sempre sem nos olhar grita para dentro " sai uma torrada e uma sandes de queijo" e dá-nos o queque. Há uns clientes que tentam fazer umas graças "o café é meio cheio" mas não leva troco. Antes se diziamos " Queria um café " por vezes gozavam connosco " Queria , já não quer? " o que é uma estúpidez, pois o uso do condicional e não do imperativo é uma forma de cortesia, que de certa forma substitui o " se faz favor".

No outro dia fui a uma livraria e o empregado estava imparável comigo. Comecei eu, ao vê-lo ocupado no computador " Posso fazer-lhe uma pergunta? " e ele " pode fazer duas, já fez uma..." e eu ri-me. " Queria um livro da Isabel Allende, o não sei quê de Ripley" e ele " já sei o que quer, é isso mesmo" e vai e traz-me " O Jogo de Ripper " e eu " ah, confundi com ...." e ele " O Talentoso Mr. Ripley" e eu "sim, da Patricia Highsmith (disse eu , não querendo ficar atrás). Depois pergunta-me se tenho cartão da livraria e eu disse que sim, mas não o tinha ali, queria o meu telefone? E ele " o telefone não, basta o numero" ah ah. ri eu de novo. " O senhor sabe sempre os livros todos disse -lhe eu ". " todos não, mas muitos ", " eu sou de literatura mas não sei se conseguia trabalhar numa livraria" e ele " eu de filosofia. é difícil, sim, sobretudo com algumas coisas..." e eu " os clientes?", " não, é com o comercialismo das políticas da orientação do patronato". OK, .... " e estes livros também são tão pesados, andar a arrumar isto..." disse eu prosaicamente...
Depois paguei e vim embora com ele a dizer, " volte sempre". Eu volto, ele é giro, com o seu cabelo comprido em rabo de cavalo e uns trinta anos...

Anyway. Conselhos aos turistas não acidentais:

Não andem por aí de manga curta e calções, já se percebeu que são nórdicos e dez graus para vocês é verão.

Não andem com mochilas cheias de garrafas de água e comida do hotel.  A comida é barata e podem comprar água em qualquer lado. Não andem com mochilas, ponto final. As pessoas em geral não andam com mochilas e chamam a atenção dos carteiristas e vendedores de droga.

Não passeiem com mapas, vejam no telemóvel. Por aqui ainda não se roubam telemóveis na rua às pessoas, podem telefonar e ver a internet à vontade. Mas não à vontadinha...

Se quiserem saber algo perguntem a alguém na rua, " Castelo? " ou algo assim e as pessoas percebem e apontam e explicam. Não entrem numa loja a perguntar. Ver " atitude dos empregados de café".

Mais, vão ao Bairro Alto jantar e depois passear nas ruas e entrem em bares e bebam a cerveja na rua. Sim, pode-se e assim tambem podem fumar. E é mais fácil meterem conversa com as outras pessoas, pelo menos ouve-se.

Mais a baixo há a Rua, no Cais de Sodré. Vêem logo qual é. são só bares e o chão é cor de rosa.

Um sítio bom a vistar é a LXfactory e o Museu do MAAT, assim como o Mercado , cheio de restaurantes. Mas isto de dia. E se querem escapar da rota dos Jeronimos e Torre de Belém.




segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Natal no Lar

No sábado fui ao Lar ver a minha mãe, para variar. Deve ser a minha penitência em vida, ir lá uma vez por semana. Quando está lúcida e me fala normalmente, fico com pena de a deixar ali, sentada a olhar uma TV, com programas parvos. Quando não me responde fico com pena de a ver assim.

Desta vez fiquei zangada. Está frio, há uma onda de frio na Europa, até aqui estão temperaturas negativas (não em Lisboa, continuamos com sol e cinco graus de mínima) e ela estava com roupas de algodão. Uma blusa de algodão de manga curta e por cima um casaco fino cinzento escuro, com as mangas dez cm acima do pulso. Depois tinha calças mas as meias eram pelo joelho e estavam caídas.

Nem uma manta em cima. Olhei para as outras senhoras, cheias de mantas e camisolas de malha e ponchos e pensei, mas porque não a vestem como deve ser? E a blusa de algodão era azul escura, o casaco cinzento, as calças castanhas...parecia uma pedinte.

A minha mãe, que ia ao cabeleireiro todas as semanas, comprava as roupas em boutiques na Av. de Roma ou Bairro Azul, que qualquer roupa que vestia lhe dava um ar de elegância...

E os pulsos e mãos estavam frios. Estou aqui a ver e neste momento tb tenho as mãos frias. A minha casa não é aquecida, o Lar é. E mesmo assim estava fria! Perguntei-lhe se tinha frio. Perguntou-me que horas eram. OK, também não tinha o relógio. Está sempre atenta às horas e também quer saber que dia da semana é. Pus-lhe uma manta em cima, que estava lá noutro sofá e fui para o quarto dela.

Na semana anterior eu e a minha irmã tinhamos estado a colocar as coisas de verão num caixote na prateira de cima do armário. Penduradas estavam meia duzia de blusas e camisas de manga comprida, calças e mais calças, casascos de malha, camisolas de malha em baixo. Na gaveta não encontrei camisolas interiores nem collants.

Encontrei uma empregada e perguntei-lhe porque estava a minha mãe assim vestida, tinha roupas boas no armário. Respondeu-me que não fora ela que a vestira e que elas não sabem quais são as roupas "boas" que vestem o que é pratico. " Está com frio Mariazinha? ", " "Não lhe chame isso, é D. Maria". Apeteceu-me acrescentar que a tratasse com algum respeito, paga três vezes o que ela ganha por mes para estar ali. (1800 euros por mês, para partilhar o quarto com a outra senhora que está sempre de cama a olhar a TV plana do quarto). A pensão do meu pai vai direta para pagar aquilo.

Depois liguei à minha irmã e ela diz que não sabe que casaco é esse. Mandou-me no dia seguinte uma foto de roupa que comprara lá na terra, onde foi passar uns dias, provavelmente na feira.



Hum, roupa prática. Entretanto eu já lá tinha ido levar umas blusas minhas da Zara para ela vestir por baixo das camisolas boas que lá tinha. Não tinham botões, já percebi que querem coisas fáceis de enfiar e realmente as camisas têm muito botões e dão trabalho a engomar (eu não uso camisas). Mas as coisas que eu dou, tendem a desaparecer, são demasiado giras, alguém decide ficar com elas....

domingo, 3 de dezembro de 2017

Guia de Lisboa verdadeiro




A Baixa de Lisboa continua a ser o sítio mais bonito para passear. Em todo o lado se vê o Castelo. A malta nova agora vai para o Chiado. No meu tempo era a Av. de Roma....

Gerir
 Sair do metro na Baixa -Chiado é alucinante. Subimos dos confins da terra e saimos no sec. XVIII.

Gerir

Um sítio onde se deve ir: subir o Arco da R,Augusta. Fotografias muito boas e é divertido, aquelas escadas antigas. Antes não se podia visitar.

Não visitar o novo Museu dos Coches...é deprimente! Um espaço branco, com coches e coches. Podiam fazer por ex. uns filmes sobre alguns dos coches e projetar nas ditas paredes, a rainha Isabel II quando veio visitar Lisboa e passeou num deles. Ou imagens do assassinato de D. Carlos por detrás do coche onde ia, quando o balearam. Não sabem fazer museus interactivos aqui. Vão ao estrangeiro aprender.

 Vale a pena visitar os Jerónimos, mas não entrem na Torre de Belém. É pequena e está cheia de turistas. Tirem só fotos de fora.

Gerir
 Os pastéis de Belém são um sítio a ir, mas a má vontade dos empregados é lendária. É não dar conversa e pedir as coisas sem olhar para eles, o desprezo deles por turistas é enorme, e temos de parecer clientes habituais " um café e dois pasteis!" enquanto olhamos o telemóvel. Só assim vos respeitam.

Gerir
 O Museu de Arte Antiga sim, merece uma visita. Assim como o jardim.E também a Gulbenkian e jardins. Tudo para ver sem stress e a tomar café e bolos depois.

Gerir

 Para quem vem de fora, pode valer a pena ficar alojado no Parque das Nações. Visitam o centro comercial, correm ou passeiam à beira rio de manhã. Almoçam e metem-se no metro para visitar Lisboa antiga.

Gerir

O Oceanário é apenas um aquário com peixes e peixes....A melhor parte são os pinguins e as orcas, não como se chamam aquele bichos, lontras! É o segundo maior da Europa. Mas tb podia ser mais interactivo! Prefiro o antigo Aquário, é muito mais interessante.

Gerir

Quanto ao Zoo de Lisboa. Eu costumava detestar, ver os animais em jaulas, os chimpanzés deprimidos, as panteras a caminhar para trás e para a frente. O elefante a pedir moedas, e a tocar a campainha. Agora isso acabou. Os animais têm mais espaço, mais jogos para se entreterem. O elefante das moedas afinal é um grande reprodutor, todos oe elefantes nasceram dele, está à parte dos outros pois é um macho um tanto agressivo. Enlouquecido se calhar.Vale a pena andar no teleférico, é uma actividade radical, sobretudo quando passamos sobre o habitat dos leões e estes olham para cima e quase lambem os beiços....A evitar quem tem medo de alturas e desconfia de cestinhos com ar frágil.

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Os últimos a morrer

Que me lembre morreu o actor Nuno Melo, o actor João Ricardo (tão divertido na telenovela Laços de Sangue), agora o Belmiro de Azevedo, dono da Sonae e o Zé Pedro dos Xutos e pontapés. Tudo em Novembro. E eu também não me sinto lá muito bem...ah ah. Um pouco constipada.

O meu pai dizia " e nunca tinham morrido antes", e eu revirava os olhos, com o sarcasmo. Mas é mesmo, um facto da vida, porque nos espantamos, todos vamos morrer um dia.

Morreram todos de doenças, cancro, hepatite C... O João Ricardo era mais novo do que eu! Não parecia. Era muito engraçado naquela novela, o casal que fazia com a outra, mas era uma pessoa mal disposta e deprimida.



O Nuno Melo fazia muito teatro e fez sucesso na série Camilo & Filho. Era o filho e fazia muito bem de filho tosco. Uma vez cruzei-me com ele no Vasco da Gama, ele vinha a descer as escadas rolantes e eu a subir e eu tive um sorriso ao reconhecê-lo e ele sorriu também, com uma boca enorme. Olhei para trás e ele também estava a olhar. Se calhar pensou que  me conhecia. Esse era mais velho que eu.


Depois morreu o milionário de perto do Marco de Canaveses. Era dono da Optimus, por isso havia boa receção desse telemóvel no Vale. Era a minha rede na altura. Tornou-se milionário com o retail, or hipermercados e era famoso por não querer aumentar o salário mínimo, o qual pagava à maior parte dos trabalhadores, e advogava que só assim se tinham lucros. Também era dono do jornal " O Público" onde escreviam pessoas de esquerda.... Provavelmente queria-os próximo dele.



Agoram hoje, morreu o Zé Pedro, dos Xutos & Pontapés. Deu o seu primeiro concerto em 1979.
Era filho de um coronel e tinha vários irmãos mais novos, vivia nos prédios dos oficiais lá nos Olivais, morreu com 61 anos e hepatite C. Era muito educado, diziam os colegas do rock. Pudera, a família era muito conservadora. Ele saiu cedo de casa, mas ainda cheguei a ir com ele no autocarro.
Entrou e sentou-se à minha frente, de jeans muito justas, doc martens,muito esquelético, a cara cheia de borbulhas e um blusão preto de cabedal cheio de alfinetes de dama. Eu teria uns 13 e ele 19? Eu pensei "é o irmão drogado do ..." um colega meu da escola. E encolhi-me toda, a olhar pela janela.

Pouco depois já era famoso, e foi melhorando de aspecto com os anos. Era muito simpático dizem, amigo de ajudar. Falava com um bocado de calão, mas isso também foi mudando. Era carismático e tinha olhos bonitos, e sem dúvida que tem musicas boas, que compôs. O vocalista era o Tim. E vai continuar a ser.

Daqui, ninguém sai vivo! - dizia o Jim Morrison que morreu aos 27. E é mesmo assim. Alguns pelo seu próprio pé. Outros por doença prolongada.