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About my daughter

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Quando engravidei, fui a pessoa mais feliz do mundo. Já tinha 33 anos, e estava mais que certa que queria um filho. Quando soube que era uma menina ficámos radiantes ( o pai também ), já tinhamos nome e tudo. A gravidez passei-a sempre alegre, menos nos últimos meses, que me custava deslocar. Mas só aumentei nove quilos. E ela nasceu, de parto normal, peso normal, na maior maternidade de Lisboa. Passei a noite acordada a olhar para ela, a enfermeira deitou-ma ao lado. Era diferente do que eu pensava, mais pequena e vermelhusca, mas com uns olhos tão vivos fixos em mim. Foi a primeira neta dos dois lados. Do meu, porque tinha dois sobrinhos. Do dele pois era mesmo a primeira neta. E eu vesti-a à menina desde logo, com aqueles olhos azuis e loira, era um amor. Tirei-lhe centenas de fotos, numa altura em que ainda se compravam rolos de 25. Depois nasceu o irmão e dessa vez passei mal a gravidez. Por um lado, nunca ia ao médico, como a outra fora tão fácil. Mas desta vez eu sentia-me m...

About my father

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O meu pai era uma pessoa humilde em relação ao seu trabalho. Só há pouco a minha mãe me disse que a Igreja de Alvalade, na 1º de Janeiro, foi a primeira obra em que participou. Ele nunca o referiu. Eu adoraria ter dito aos amigos, quando estava na Carcassone " o meu pai fez esta igreja ! " ( nos anos 50 ). Especializou-se em Fundações depois de ser contratado como engenheiro civil pelo LNEC  (o seu primeiro emprego ) e era chamado como especialista a várias obras públicas. Eu e a mãe fomos com ele várias vezes, quando era em Évora ou noutros sítios. Mesmo a Itália e Áustria fomos.  Ele olhava o terreno, analisava as amostras de terra que tiravam de perfurações a vários níveis, mandava entregarem no LNEC e executava os cálculos para calcular o tamanho, profundidade, das fundações do prédio, mas com o tempo, dizia logo ali quanto seriam. Sabia muito de Geologia e dizia-me o nome das rochas, quando andávamos de carro, calcário, xisto.... E às v...

About my grandfather

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O meu pai era uma pessoa humilde. Não digo que fosse de uma família humilde, eram proprietários de terras no norte, mas com famílias grandes a quem dividir o património, cada um tinha de se safar. Tanto a minha avó como o meu avô tinham nove ou dez irmãos. Uns fizeram fortuna em África, outros emigraram para o Brasil e lá ficaram, a trabalhar no comércio. O meu avô também foi, para S. Paulo. Tenho uma foto dele de " paletó" numa rua que parece quase Nova Iorque e ele de chapéu, muito urbano. Quando partiu, era namorado da minha avó, prima em segundo ou terceiro grau, mas depois esteve uns cinco anos sem lhe escrever... Escrevia às irmãs dele, e elas mostravam-lhe fotos dele a tomar chá na companhia de senhoras modernas. A minha avó e as irmã também eram modernas, apesar de morarem numa aldeia dos arredores do Porto, tinham o cabelo curto à anos 20 e vestidos curtos de cintura descaída. Uma das minhas tias avós era professora primária, a minha avó não, mas foram educadas por ...

Salgados

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About my mother

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A minha mãe ia ao cabeleireiro todas as semanas. Quando saíamos andávamos de autocarro ou metro, não gostava de táxis e não conduzia, embora tivesse a carta. Apanhávamos o expresso 81 ou o 25 e íamos pela beira rio até à Praça do Comércio, nos autocarros de dois andares, com motorista e pica bilhetes. A paisagem nesse tempo era lúgubre, um matadouro, uma doca abandonada, fábricas. E a estrada de macadame, blocos de pedra que faziam saltar e desconjuntar os passageiros. Eu gostava, no entanto. No Terreiro do Paço, como também se chamavam, eram os gabinetes do Governo e passávamos por baixo do Arco da Rua Augusta para vermos as lojas. Geralmente tínhamos destino certo, aquela sapataria, aquela " boutique ", ou mesmo os Porfírios, uma loja à moderna, ao estilo londrino, numa cave e primeiro andar, para jovens. Haviam os Armazéns do Chiado quando se subia a Rua do Carmo. Tinham escadas rolantes, o que eu gostava, e o restaurante era em cima, por isso lanchávamos lá. Chá e torrad...

Peeling natural

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A pele do meu nariz está a cair. É o peeling natural. Daquele dia que não pus creme protector na cara e andei a jogar raquetes e a boiar no mar. Apanhei um escaldão na cara, parecia um tomate....  Sim, eu jogo raquetes, embora prefira na água, para não andar sempre a baixar-me, para apanhar a bola.  Ando toda partida , na verdade, não faço exercício o ano todo e depois é isto. Ó o que dá ter filhos de 15 anos. Já dei por mim a dizer-lhes " olha lá, julgas que tenho 15 anos como tu ? " e acrescentei " tenho 51 " e ele " bem, dito assim parecem muitos....mas não pareces ". Oh que querido. É o que faz ter filhos tarde.  Mas ontem além do dia na praia, ainda fomos à noite passear à marina de Vilamoura. Felizmente chegámos às dez e encontrei logo um lugar, até bem perto, vi um que ia a sair... Estavam uns miúdos na rua a dar pulseiras para o " Seven " e deram aos meus filhos. A mim não. Parvalhões. Também não queria ir.  A Marina estava cheia de g...

Albufeira

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Quando vemos o telejornal não podemos deixar de pensar que as nossas queixas são muito relativas.  Com ébola em áfrica, o Putin no governo na Rússia, os israelitas e os Palestinianos, o Iraque.  Mas Albufeira em agosto, consegue rivalizar, na minha opinião, com as chatices dos outros. Esta casa é da minha mãe e tia, compraram, em 75, e a partir daí a zona não cessou de se desenvolver. A rua da Oura é paralela à nossa ( a 200 m) e decidiram que é boa ideia estacionar aqui, tirando o lugar aos moradores.  Ontem fomos lá passear à noite, a rua até estava fechada ao trânsito e estava lá a GNR. Havia uns grupos de jovens de cervejas na mão ( em copo de plástico ) que seguiam uma guia de bandeira na mão, e iam ver este e aquele bar, se calhar já estavam contratados, mas iam aos gritos e cânticos pela rua. A certa altura vêm outros em sentido contrário, e eis-nos rodeados de moços loiros de 1.85 m.....    Os meu filhos lá me arrancaram em direção às pipocas, e to...