Época balnear
Começa hoje a "época balnear", disseram na TV. O que me faz lembrar pessoas vestidas na praia e crianças com baldes e pás, e fotos a preto e branco... Quando eu era pequena , até aos 12, acho, íamos para a praia de Mira, na costa ocidental , Atlântico. A praia era enorme , na verdade acho que nem tinha fim. Uma vez uma bola daquelas de encher foi levada pelo vento e corremos atrás dela, sem sucesso, km, pareceu-me, sem a apanharmos. As ondas eram enormes, a minha irmã uma vez ficou lá e não conseguia sair. Põs-se a esbracejar e os amigos acenavam-lhe da praia todos contentes. Quando perceberam tiveram de chamar o salva vidas (o banheiro, como se dizia) e ele foi buscá-la, mas andou toda a tarde a deitar água pelo nariz...A areia era muito branca e fina, muito limpa, e eu gostava de fazer croquetes, não só com as mãos, como daqueles em que nos molhavamos e rebolavamos na areia, até ficarmos bem passadas. A praia tinha filas de barracas, às riscas, e a nossa já era dos nossos avós, era muito grande, e o pano devia ser renovado de anos em anos, mas era amarela e branca. Depois havia outras coladas à nossa de pessoas da terra dos meus avós que também íam para lá todos os anos em Julho ou Agosto, não sei, mas tinham todas imensos filhos e eu brincava ao prego com as meninas.
Era um prego de ferro que se comprava nas lojas de ferragens (e compra que eu tenho um) e fazia-se um círculo na areia e uma de cada vez tinha de efectuar umas piruetas aos prego, cada vez mais complicadas, e o prego tinha de cair em pé, se a cabeça tocasse a areia perdiamos. A que chegava ao fim ganhava. Ainda pensei em ensinar os meus filhos, mas quando analisei melhor aquele prego, bicudo e pesado, digno de pregar o Cristo....deixei-o em casa. Eu sei que às vezes levávamos com ele num pé e ninguém se queixava, mas as crianças de agora....
lembro-me de estar numa pensão , do Sr. Maçarico (acho que aqueles tremoços embalados maçarico são de pessoas da família dele) e era tipo "As férias do sr. Hulot", toda a gente almoçava à mesa, depois de ter estado toda a manhã na praia, e depois iá-se dormir a sesta para o quarto. coisa que eu não fazia, lia, foi lá que li "The Wind in the Willows", devia ter oito anos, li em português claro, mas era tradução integral e chamava-se " As aventuras do sr. sapo". Também li "A Ilha do Tesouro" do Stevenson, e lembro-me que ao princípio achava a linguagem difícil, mas depois habituei-me e entusiasmei-me com a história. De tarde voltávamos à praia, mas costumava estar vento e às vezes não me deixavam despir a camisola e calções. Tínhamos chapéus de pano, de ganga, eram giros.
Noutra parte da praia, o lado dos pescadores, vinham os barcos da pesca e íamos ver uns bois a puxarem as redes de peixe. Vinha vivo aos saltos, eram sardinhas. Pequenas e grandes, as redes eram finas. vendiam-se logo ali peixes, quando alugávamos casa às vezes a minha mãe comprava. O meu pai não estava, ficava em Lisboa, tal como os outros pais, a trabalhar. Nós é que tínhamos três meses de férias de Verão. E as mães, que conversavam e faziam croché, sentadas nas cadeiras de dobrar, de pano. Também havia dias de chuva, e aí ficava-se em casa, ou iamos para um café, era giro.






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